segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

16º Capítulo:

Peço desculpas por este texto ser nomeado como 16º capítulo,visto que a maioria começa,ou deveria, pelo 1º.Acontece que eu tenho uma boa justificativa para tal feito...Este texto é dedicado a alguém muito importante pra mim,que é,por acaso, a melhor amiga que possuo.Tenho também outra boa justificativa: Não a pude conhecer,ou lembrar de como era,há dezesseis anos atrás.
E,se todas essas justificativas não foram o bastante, aqui vai uma melhor:Ela merece todas as minhas palavras que aqui serão ditas e mais.Portanto, à Mariana Schumacher(por todos esses anos).






Lembro-me, como se fosse ontem, do dia em que a conheci: Estávamos em sala e era o primeiro dia de aula depois de boas e tradicionais férias de verão. Apesar de que há alguns anos atrás o primeiro dia de aula era sempre aquele no qual conhecíamos melhor os alunos e professores novos e até mesmo fazíamos a tão esperada redação de férias na aula de português, eu(que naquela época não era muito extrovertida), não troquei uma palavra se quer com os alunos novos.Era a primeira semana de aula, mas ainda continuavam vindo aqui em casa,e em bandos, mães desesperadas à procura de uniforme. E porque aqui em casa? sim...meu pai tem uma empresa de uniformes.Eu até gosto, pois além de não precisar ir à loja alguma, sempre conhecia os alunos e alunas novos antes de todos.Já a parte ruim, é que eu não tinha muita privacidade,quer dizer,uma menina de 11 anos tendo sua casa, banheiro e as vezes quarto invadidos para dar espaço às alunas novas se trocarem, no meio de uma construção de casa no The Sims...Eu achava um ABSURDO.
No dia seguinte, enquanto minhas amigas agiam como se tivessem reencontrado amizades de anos, mostrava-me indiferente perante aos assim chamados "novatos", pelo menos até aquela mesma tarde...Deviam ser quase sete da noite quando olho para o lado de fora da janela da sala e, olhando através de qualquer árvore ou galho, avisto o apartamento do prédio em frente ao meu, no mesmo andar...Nada demais, pensava eu. Lembro-me que lá morava uma mulher de meia idade um tanto triste(ou pelo menos, acredito eu que sim)com seus três cachorros que tão tristes e taciturnos quanto sua dona, viviam dormindo no parapeito,entre a janela e a rede de proteção. Pois bem, após alguns minutos olhando através da janela, nesse mesmo dia, assusto-me com um barulho.
Não era nada fora do comum, mas me senti desnorteada com aquela sensação,aquela combinação sonora de janela batendo com porta abrindo, parecia-me como ser acordada de um momentâneo transe. E então, saindo dessa barulheira toda,um quarto um tanto delicado(que não tinha nem cara nem jeito de pertencer à triste mulher de meia idade). Nessa hora, quebrando o silencio, surgiu uma menina no quarto, devia ter em torno de uns 12 anos, cabelo no tom castanho-claro(mais puxado para o loiro), olhos marrom-esverdeados, sorriso no rosto...E em mim, a impressão de que a conhecia. Na tarde seguinte, fui vencida por minha imensa curiosidade e pus-me em frente à janela para observar a tão estranha e familiar garota do prédio da frente. Quando então, ela olhou para cá e eu para lá, me bateu aquele constrangimento bobo(cujo aposto que ela sentiu também)me fazendo improvisar uma desculpa para me recuar e observar, abaixada, sua reação. Foi bem estranho, confesso.Contudo, pude lembrar de onde a conhecia, então pensei: "é claro, como eu não me lembrei...É a garota nova lá da sala".
Obvio, que ela também deve ter lembrado de mim, mas com um diferencial um tanto estranho...Me passei pela garota mal educada que jogava The sims enquanto seu pai vendia uniformes à mãe dela. Com isso, era mais do que inevitável que nos falássemos,até porque, caso contrário, ficaria uma situação embaraçosa para ambas as partes. Admito que, de primeira, bateu-me uma confiança, pois afinal, estava falando com a aluna nova, que todos queriam conhecer e ser amigos. Nas primeiras semanas, a novidade veio à tona, depois de alguns poucos assuntos e muitos históricos de msn para nos tornarem amigas, surgiram as brincadeiras,envolvendo : Competição de banho(cuja eu sempre roubava), conversas pela janela(aquelas...Que depois percebemos que as pessoas na rua podiam ouvir e até mesmo reconhecer nomes), a típica espionagem alheia,acompanhada daquele sentimento de liberdade, de inocência...De ainda ser criança.
Com isso, a amizade foi crescendo, e cada vez mais nos tornávamos inseparáveis. É, aquela era a época em que eu,e se não todas,a maioria das meninas da nossa idade,achava que o fato de dormirmos uma na casa da outra e trocarmos ligações, fazia de nós melhores amigas. Mas com o tempo, fomos entendendo e até aprendendo a reconhecer essas amizades. Um dia, um homem disse:"A amizade é um amor que nunca morre", pois bem...Esse homem foi Mario de Miranda Quintana, um dos maiores poetas e escritores brasileiros. Não se trata de quem escreveu, mas sim do que escreveu e como escreveu. Sobre aquilo que não se sente, não se tem conhecimento.Por isso, mais do que apoiado e cheio de razão, resumiu amizades de uma vida inteira, organizando-as em apenas uma simples, e auto-explicativa, frase. Coisa que eu não conseguiria, e nem consigo, fazer. De todas as amizades que já tive, essa, com certeza, foi a minha maior vitória.
Hoje, dia 14/02/11,em especial, desejaria de agradecer à minha amiga Mariana Schumacher,e à todos os motivos que me levaram a homenageá-la. Aprendi muito com ela e creio que ela também aprendeu muito comigo, com a vida. E, mais do que nunca, desejá-la um felicíssimo aniversário, muita saúde,paz, amor, muitas alegrias, muito dinheiro e, que, à ela, tudo de bom e de melhor do mundo se encaminhe. Então minha amiga, minha irmã, parabéns, que todos os seus desejos sejam atendidos e que a cada ano, se multipliquem.
Por todos os anos perdidos,te amo...

pents